GATOS GUERREIROS: POR TODA A VIDA


                             CAPÍTULO 1



       
       -Me pegue se conseguir! Você é lento demais, Filhote de Rubi.
       -Vocês dois são idiotas, tão fazendo tudo errado!
       -Venha aqui então, Filhote de Aurora, vamos ver se você é párea para nós.
       -Não vou sujar minhas patas, se me derem licença, vou sair para ver o treinamento dos aprendizes, assim eu me torno a melhor. Tchau.
       Assim foi feito, eu saí e deixei Filhote de Nuvem e Filhote de Rubi para trás, e fui ver o treinamento dos aprendizes.
       Em pouco tempo eu me tornaria uma aprendiz, eu tinha que ser a melhor aprendiz, a melhor guerreira.
       Era um dia ensolarado, no sol alto, e o calor dominava a clareira. Meu pai ensinava à Pata de Sapo como pegar o inimigo de surpresa, perto da toca dos anciãos. Até que Coração de Falcão atravessou a clareira correndo em direção a ele, sua expressão era desesperadora, e a mesma expressão tomou conta do rosto do meu pai após Coração de Falcão lhe falar algo. Meu pai saiu correndo, dando ordens:
       -Todos os guerreiros se preparem! Pata de Mel e Pata de Sapo, leve os anciãos e as rainhas com seus filhotes para suas tocas e se certifiquem que todos estão seguros! Agora!!
       Os aprendizes concordaram e saíram correndo em direção aos anciãos e as rainhas. Antes de eu ser empurrada pela minha mãe eu vi silhuetas de gatos entrando pelo túnel de samambaias e os guerreiros do meu clã correndo em direção á eles. 
       -O que está acontecendo?! Onde está o papai?!
       -Calma filho, está tudo bem, seu pai está nos protegendo.
       -Estamos sob ataque, papai está lutando contra os invasores. Estamos em guerra.
       Claramente minha mãe não ficou feliz com o que eu falei e me lançou um olhar de ''depois a gente vai ter uma conversinha'', mas logo esqueceu com o barulho de gatos brigando.
       -Vamos entrar.

                                                                 
                                                                   ❋❋❋❋      


       Quando avisaram que o ataque tinha terminado minha mãe pediu para que Pata de Sapo tomasse conta da gente para ver se nós podíamos sair. Esperei o momento em que Pata de Sapo se distraísse para poder sair e ver o que havia sobrado do acampamento.
       Minha mãe conversava com Couro Listrado, que estava com uma ferida que começava na pata da frente e terminava na nuca. Olhei ao redor e vi gatos mortos. Muitos gatos mortos. A grama que uma vez foi verde virou um mar sangrento. Comecei a olhar os corpos, tentando identificar eles. A maioria eu nunca tinha visto na minha vida, mas se há maioria há minoria. Vi Pele Estrondosa com marcas de garras por todo o corpo, morto. Vi Tempestade Alaranjada com uma ferida cortando a barriga de uma ponta a outra, morta. Vi Pé de Pássaro sem os olhos e cortes ao longo do corpo, morto. Estavam todos mortos.
       -Filhote de Aurora! O que você está fazendo aqui?! Volte--
       -Onde está meu pai? 
       Eu já estava quase certa que ele se juntou à minoria, até que ouvi um miado do outro lado da clareira:
       -Quantos morreram?
       -Três. Pele Estrondosa, Tempestade Alaranjada e Pé de Pássaro.
       -Que o Clã da Galáxia os recebam bem. Hoje a noite lamentaremos a morte deles.
       -Estrela Rajada--
       -Pai!
       -Ah, oi Filhote de Aurora... O que você está fazendo aqui?
       -Eu pensei que você tinha se juntado ao Clã da Galáxia!
       -Estou bem querida. Que tal você se juntar ao seu irmão e sua mãe? 
       -Olá, Filhote de Aurora.
       Antes de eu poder responder ao meu pai Estrela Rajada se dirigiu a mim:
       -Oi.
       -Você e seu irmão estão com quantas luas mesmo?
       -6.
       -Hum... Já está na hora de se tornarem aprendizes, certo?
       -Ahm... Acho que sim.
       -Bom. Amanhã a noite tornarei vocês aprendizes.
       -Sério?! E Filhote de Rubi também?!
       -Sim.
       Eu fiquei tão animada com a notícia que ignorei todos os corpos e o sangue e voltei pro berçário contar pro Filhote de Nuvem e Filhote de Rubi. Mas antes eu parei para ouvir a conversa que meu pai teve com o líder do clã logo após minha partida:
       -Estrela Rajada, você não acha melhor esperar o período de luto passar antes de torná-los aprendizes?
       -Perdemos 3 guerreiros essa noite. Quanto mais cedo a gente tiver 3 aprendizes, mais cedo teremos 3 guerreiros.
       E assim continuei minha caminhada até o berçário. Seria a última noite que dormiria lá. Amanhã seria o dia de eu me tornar a melhor.
       Muitos diriam que aquilo era o final, mas era apenas o início de uma nova história.


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